Desafios de produzir o próprio alimento


Desenvolver uma alimentação saudável para com minha família de forma leve e gostosa se torna um objetivo cada vez mais presente em meu cotidiano. Porém não é fácil se alimentar do que você planta. Precisa de disciplina e tempo de dedicação. E quando a vida te tira da rota ou da rotina você vai precisar de comer o que estiver disponível, talvez não tenha tanta diversidade alimentar como você vai achar em um supermercado. Com certeza que não. Porém seu alimento terá uma vitalidade inigualável. Eu aprendi a enxergar uma diversidade alimentar que não conhecia. Flores e folhas comestíveis que não estão à venda no supermercado. E isso é incrível, colher flores de abóbora para uma omelete deliciosa. Comer as flores maduras e já amarelas do brócolis, consumir suas folhas. Aprender com os antigos agricultores da região sobre as plantas nativas medicinais e comestíveis.  

Foi necessário tempo para me reconectar com campo,  me reconectar comigo mesma e com os ciclos natureza. Neste tempo a nossa culinária  passou por diversas fases ideológicas que caminharam junto com o nosso amadurecimento sobre as necessidades da vida no seu dia a dia. Fomos vegetarianos, veganos, e hoje somos onívoros, porém procuramos preservar um respeito e cuidado aos animais que consumimos e com restrições severas ao leite de vaca e ao glúten. Essas mudanças aconteceram por diversas razões, mas a principal delas foi a necessidade e o desafio de criar nossa segurança alimentar e dos nossos filhos com o que produzimos. Além de que temos duas crianças aqui com intolerância a proteína do leite de vaca e um adulto e uma criança com intolerância ao glúten. E nessas condições tivemos que aprender a desenvolver receitas sem esses compostos.

Para mim nossa dieta alimentar sempre tem a ver diretamente com a nossa saúde, esse com certeza foi um conceito introduzido em mim pela minha mãe, que sempre soube que a saúde do nosso corpo entra pela boca, pelos alimentos que ingerimos. Nossa infância foi cheia de frutas e muito pouco de industrializados comparada às crianças de nossa geração. Mas não é só a saúde do corpo que eu tô falando a saúde física mental e espiritual também passa pela boca. Eu cozinho porque a comida me traz um prazer que eu sempre quero compartilhar em uma mesa cheia. As comidinhas que trazem lembranças da nossa ancestralidade são sempre tão aconchegantes e curadoras.

Saber de onde vem a minha comida, plantar ela, faz com que tudo isso tenha um sentido ainda maior pra mim, poder tirar da terra meu alimento e come-lo com toda sua energia vital pulsante, me conecta todos os dias com a graça de sermos tão abençoados, pela à terra, o sol, a água. Me conecta aos ciclos naturais dentro e fora de mim. Me conecta com o estado de gratidão ao universo. E finalmente faz eu perceber que tudo é um só, e então eu posso confiar na vida!

Neste processo percebi que temos que nos reeducar para uma alimentação que esteja mais conectada com a terra, resgatar as plantas nativas que estão mais adaptadas ao clima e nutrientes daqui. Proteger o solo para reduzir o uso da água e das capinas, e trabalhar em um plantio diverso e que usa a natureza ao seu favor. São os sistemas agroflorestais que nos prometem isso.  

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