A nossa dieta restritiva a leite de vaca e glúten

Temos um histórico familiar extenso de alergia e intolerância a proteína do leite, por isso sempre me preocupei como seria a inserção do leite na minha dieta e na dos meus filhos e como substituir algo que está tão enraizado na nossa cultura.

Só fui inserir a carne e o leite bem mais tarde na alimentação da Iara, nunca a proibi de experimentar, porém sempre observando as reações do seu corpo. Iara  a partir de um ano já comia ovo caipira e caprichamos na proteína vegetal bem preparada como os feijões, o grão de bico, as lentilhas. E também consumia muitas verduras verdes como brócolis, orapronobis, quiabo. Além das oleaginosas, castanhas e amendoim. Tudo isso para suprir sua necessidade de proteína e ferro, numa alimentação basicamente vegetariana.

A chegada de Pedro Ori

Foi quando Pedro ainda estava na barriga que eu senti uma necessidade absurda de comer mais proteína animal, apesar de ter consciência da questão ética que envolve o consumo de carne, eu sei também que a biodisponibilidade dos nutrientes da carne para o meu corpo é muito maior. E neste momento meu corpo precisava de muito mais para gerar um meninão na minha barriga. Eu sentia que tinha que ouvir estes desejos principalmente nesta fase sensível que é a gravidez. Os enjoos não me deixavam comer o suficiente de vegetais para suprir nossa necessidade, então eu cedi aos desejos da gravidez e, sempre que possível optando por consumir criações caipiras.

A opção de ter uma criação de galinhas caipiras aumentou a nossa chance de subsistência alimentar no campo. É difícil manter a diversidade alimentar na roça, a criação animal finda sendo uma reserva alimentar para os dias de mais escassez.

Bem, Pedro Ori nasceu enorme mesmo e bem mais alérgico e sensível a alimentação que Iara,  tinha o intestino preso e só eliminava fezes quando estava na posição de higiene natural. Tudo provocava muitos gases, ele passava longe dos feijões e outras leguminosas, nem tinha interesse em saber o que era.

Quando fez um ano de idade descobrimos que ele tinha uma doença congênita que dificultava o processo de eliminação das fezes, pois ele não tinha os neurônios no final do reto. Doença de Hirschsprung. A solução foi fazer uma cirurgia, que graças a Deus resolveu este problema. Sua dieta foi aos poucos ficando menos restritiva e hoje come feijões sem problemas entre outros vegetais.

Neste período, antes da cirurgia, Pedro também apresentou uma baixa de ferro no organismo, foi aí que a inserção da carne na alimentação se tornou mais intensa e presente no nosso cotidiano.

E foi nesse entre tempo da cirurgia do Pedro, que ficamos um sem plantar e nosso escalonamento da horta de cenouras, brócolis, repolho, alface, milho, parou. Com os meses a diversidade alimentar caiu, e nós começamos a vislumbrar novos horizontes no nosso modo de plantar. Também no nosso modo de viver. Afinal toda dificuldade vem pra transformar e abrir nossa visão. Aproveitamos e agradecemos este momento, e a todo momento as oportunidades que o universo nos dá de aprendizado e evolução.

A cirurgia de pedro foi ótima, milagrosa, mas não curou sua alergia a leite de vaca e a sua sensibilidade ao glúten.

Junto com ele Mel, minha mais fofinha afilhada, de dois anos, também apresentava sintomas de alergia a proteina do leite de vaca. E isso foi determinante para que se consolidasse uma alimentação restritiva entre as duas famílias, o que facilitou bem as coisas pra todo mundo. Afinal eu sei o quanto é difícil manter uma dieta restritiva a  leite na cidade, onde praticamente tudo contém leite. Como moramos todos juntos aqui na fazenda, preparamos nossas refeições coletivamente e isso nos ajuda muito.

Mel não saiu da minha barriga mas é mesmo que como se fosse minha filha. Um filho vem mesmo pra mudar hábitos, mudar a vida e nos fazer melhor! Imagina três então, quanta mudança necessária não trazem! Somos gratos demais a eles! Com o tempo fomos nos especializando na culinária sem leite e sem glúten, a ponto de todos estarem se sentindo melhor com a nova dieta.

    Leave a Reply